CGI.br lança guia que aponta IA generativa e deepfakes entre os principais desafios das eleições de 2026
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apresentou na terça-feira, 22 de setembro de 2026, o Guia Internet, Eleições e Democracia – volume II. A publicação foi elaborada para orientar a população e servir como referência para legisladores e tomadores de decisão na formulação de políticas públicas. O novo volume amplia o debate iniciado pelo colegiado em 2018, com o lançamento do primeiro volume, e aborda como a arquitetura das plataformas digitais e a inteligência artificial generativa estão influenciando o ambiente informacional e a disputa democrática.
O guia é dividido em cinco partes. O primeiro capítulo explica como operam os sistemas de recomendação de conteúdo e o modelo de negócios das empresas que controlam as plataformas digitais. O segundo examina o impacto da IA generativa no cenário eleitoral, com atenção especial às deepfakes e aos modelos de linguagem conversacionais. O terceiro reúne diretrizes para o combate institucional à desinformação. O quarto traz orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos ou enganosos. O quinto indica fontes e referências para aprofundamento dos temas.
Deepfakes: nova etapa da desinformação eleitoral
A inteligência artificial generativa ocupa uma seção inteira do guia e é tratada como o tema central do ciclo eleitoral de 2026. Sua popularização tornou acessível a qualquer usuário a produção de imagens, áudios e vídeos sintéticos com alto grau de realismo, as chamadas deepfakes, sem necessidade de conhecimento técnico especializado. Segundo a publicação, a expansão da circulação das deepfakes ao longo dos últimos anos tornou mais acessível a produção de conteúdos desinformativos. Por esse motivo, a campanha eleitoral de 2026 tem sido apontada como uma nova etapa da desinformação eleitoral, marcada pela produção em larga escala de imagens, áudios e vídeos sintéticos. O guia mostra ainda que a desinformação se tornou mais distribuída, passando das redes abertas para ambientes mais fechados, incorporou vídeos e conteúdos manipulados e, sobretudo, foi potencializada pela IA generativa.
Diante desse cenário, a publicação apresenta as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de IA na propaganda eleitoral. Entre elas está a Resolução nº 23.755/2026, que restringe a publicação, a republicação e o impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno de votação, mesmo quando devidamente identificados. A medida busca reduzir os riscos associados à circulação acelerada desses materiais em um período especialmente sensível do processo eleitoral, no qual pode não haver tempo hábil para identificar e mitigar eventuais danos.
O guia trata também do uso de chatbots como fonte de informações eleitorais, que representa risco equivalente ao das deepfakes. Diferentemente dos mecanismos de busca tradicionais, que localizam e apontam fontes, esses sistemas sintetizam e reorganizam informações em linguagem personalizada, com maior capacidade persuasiva e menor transparência sobre a origem e a confiabilidade do conteúdo. Mesmo após a Resolução nº 23.755/2026 do TSE vedar às ferramentas de IA as ações de ranquear, priorizar ou emitir opiniões sobre candidatos, estudos identificaram algum grau de interferência em cerca de 90% das respostas geradas sobre temas eleitorais.
O guia está disponível para download gratuito no site do CGI.br: https://cgi.br/publicacao/guia-internet-democracia-e-eleicoes-volume-ii/
Fonte: Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Texto completo disponível em https://cgi.br/

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